sexta-feira, 12 de Março de 2010

O que é Neuralgia ou Nevralgia do Trigêmio?



Neuralgia do trigêmeo, ou nevralgia do trigêmeo, provoca uma dor absolutamente inesquecível. É uma dor muito, muito forte que atinge um lado da face, dura segundos e desaparece. O problema é que ela geralmente volta com grande intensidade, em intervalos de tempo variáveis.





A neuralgia do trigêmeo se distribui segundo três territórios especiais: a região frontal que toma a órbita ocular e parte do nariz (em vermelho na Imagem 1), a região malar que se estende até a asa do nariz e parte do lábio superior (representada em verde) e a região temporal que passa pelo lado do ouvido e acompanha a mandíbula ou maxilar inferior (em preto na imagem). A imagem 2 mostra os territórios de distribuição dessa dor vistos de perfil.



O nervo trigêmeo, um par de nervos cranianos, recebe esse nome porque tem três ramos: o ramo oftálmico, o ramo maxilar (acompanha o maxilar superior) e o ramo mandibular (acompanha a mandíbula ou maxilar inferior). Como vários outros nervos da face, é um nervo sensitivo que controla as sensações que se espalham pelo rosto. Por isso, a dor se distribui de acordo com o ramo acometido.















Como aparece mais na população idosa, acredita-se que a bainha de mielina que envolve os nervos se perca com o passar do tempo. É um processo degenerativo. Assim como um fio que perdeu a capa envoltória isolante, em determinado ponto ocorre uma descarga elétrica. Portanto, a neuralgia do trigêmeo resulta provavelmente da perda da bainha de mielina que envolve o nervo trigêmeo e que, depois de perdê-la, pode sofrer descargas elétricas. É assim que a explica o paciente que se refere a um choque, a uma dor semelhante a uma fisgada, a uma pontada num dos três territórios da face por onde passa o nervo trigêmeo.



Não existe explicação lógica para os episódios de dor.



As pessoas que tiveram neuralgia do trigêmeo nunca mais esquecem da dor que sentiram. Elas são capazes de relatar com detalhes o dia e as circunstâncias do momento, mesmo que o episódio doloroso tenha ocorrido muitos anos antes. Aliás, a neuralgia do trigêmeo é considerada uma das dores mais violentas que afligem o ser humano. Talvez, por esse motivo, as crises nunca sejam esquecidas.



Em geral, o primeiro episódio é inesquecível e pode repetir-se numa freqüência extremamente variável de paciente para paciente. Às vezes, ocorrem duas, três vezes por dia e em qualquer horário. Também é comum ouvir que, durante anos, as crises eram diárias, desapareceram por seis meses e depois voltaram com mais intensidade e freqüência.



Portanto, a dor em fisgada, repetitiva, sem razão aparente que caracteriza a neuralgia do trigêmeo pode sumir por períodos longos, mas há o risco de que volte a manifestar-se mais freqüente, progressiva e intensamente.



Em 95% dos casos não existe causa orgânica definida nem trauma prévio que justifique a neuralgia do trigêmeo.



A causa da neuralgia essencial do nervo trigêmeo não é conhecida. Nos pacientes com neuralgia o exame neurológico é absolutamente normal.



O histórico mais comum é de pacientes que referem dor há mais de dez anos. No começo, as crises têm menor freqüência diária, mas vão progressivamente aumentando, mas quase todos apresentam intervalos em que não há manifestação da doença.



O tempo entre as crises varia muito. Pode haver meses ou anos de intervalo. Mais comumente são intervalos de semanas ou de poucos meses entre uma crise e outra. Intervalos de anos constituem exceções.



A neuralgia do trigêmeo tem esta característica: no intervalo entre uma crise e outra, mesmo que próximas, o paciente é absolutamente isento de sintomas. Ele tem uma dor que dura segundos e não sente mais nada. O intervalo entre uma e outra pode ser muito pequeno e, em alguns minutos, ocorrem vários episódios seguidos. Nesse caso, o paciente entra num estado de mal de crise.



A dor é tão violenta que o normal é ele dizer que dói sempre, dói demais para chamar a atenção do médico, mas na anamnese fica claro que se trata de uma dor que dura segundos. A proximidade entre uma crise e outra, porém, pode dar idéia de que se trata de um evento mais prolongado.



As pessoas sempre levam a mão ao rosto quando sentem a dor e para isso existe explicação. Quando somos picados por um inseto, qual é nossa primeira reação? Esfregamos o local porque isso estimula uma fibra nervosa mais grossa chamada beta que inibe o fenômeno desagradável. Na neuralgia do trigêmeo, os pacientes têm essa reação reflexa: levam a mão, apertam, seguram e alguns declaram que, apertando a região, a dor alivia. Se o alívio é completo, não temos condição de afirmar. No entanto, já foi observado que, quando a dor é paroxística, o paciente pressiona a região afetada.



Seguramente, o fator emocional pode disparar as crises. Não que a emoção simule o efeito doloroso, mas a pessoa se refere a crises mais freqüentes quando atravessa fases complicadas, quer de natureza amorosa, financeira ou profissional.



Mudanças de temperatura são freqüentemente mencionadas como gatilho das crises, mas isso não foi comprovado, pois algumas pessoas reclamam mais das crises no frio e outras, quando vão à praia, talvez por causa do aumento da pressão.



Nas neuralgias do trigêmeo pode ocorrer também hiperemia. Durante a crise, o rosto fica vermelho no lado afetado porque o nervo possui um componente sensitivo e um componente neurovegetativo relacionado com a vasodilatação.



Outro dado importante para diagnóstico é a neuralgia do trigêmeo muito raramente ser uma dor bilateral (uma crise dos dois lados é considerada uma raridade). Numa fase da vida, ela pode atingir um lado, depois passar para o outro, mas nunca se manifesta nos dois ao mesmo tempo.

1 comentário:

  1. É verdade, os sintomas são esses mensionados no artigo. Só tem um detalhe, pelo menos no meu caso, quando doi não posso tocar a região (próxima aos olhos e supercílios)pois se tocar a dor não para, tenho que ficar parado e parar de fazer o movimente que estava fazendo. Por exemplo: não mastigar, ou não falar, ou simplismente não mexer a lingua. E a dor passa por algum tempo até que eu volte a fazer um "determinado" movimento.

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